‘Eu vi o dia amanhecer apanhando’, diz professora que foi torturada por 12 horas

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Rosana Louzada acusa companheiro, que está preso, pelas agressões


“Eu vi o dia amanhecer  apanhando”, relata aos prantos a professora Rosana Louzada, de 36 anos, que foi torturada durante 12 horas pelo companheiro, com o qual tem um filho de 1o meses. A sessão de espancamento ocorreu na madrugada do dia 18 de fevereiro, dentro da casa de Davidson Gomes da Silva, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O agressor foi preso por policiais da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) na manhã de quinta-feira dentro da Reduc, onde Davidson trabalha, por crime tortura, cárcere privado e ameaça, na Lei de Violência Doméstica Contra Mulher. A tortura ocorreu após Davidson desconfiar de uma traição depois de ter visto contatos no telefone da vítima sem a foto. 

— Estávamos separados. Combinamos de conversar em lugar público para evitar que ele me agredisse como em outras ocasiões. Fomos para um bar no Centro de Caxias, mas Davidson pediu para que eu o deixasse em casa. Quando chegamos no local ele começou a discutir. Deu um soco na minha cabeça, me deixando tonta. Começou a sair sangue do meu ouvido. Ele queria que eu entrasse na casa dele, mas eu estava com medo. Davidson me convenceu que iria me socorrer e me empurrou para dentro de casa. Começou a me acusar de traição e pegou o meu celular para ver os contatos no WhatsApp. Por volta das 5h, a discussão recomeçou e as agressões. Ele batia no meu rosto, socava minha cabeça. Cheguei a pedir socorro, mas ele cobriu a minha boca e me jogou na parede. Em alguns momentos cheguei a desfalecer. Ele chegou a me dar água e fazia com que eu recobrasse os sentidos para me bater novamente — relata a professora.

Rosana mostra a lesões provocadas pela agressão Foto: Arquivo Pessoal
Rosana mostra a lesões provocadas pela agressão Foto: Arquivo Pessoal

Depois de acabar o espancamento o agressor, segundo a vítima, a obrigou a tomar banho e se arrumar para pode ir para casa. Davidson só a liberou depois que Rosana Louzada jurou que iria na casa dela pegar os seus pertences e voltaria para a casa dele. Ela, no entanto, saiu dirigindo mesmo ainda tonta e parou num posto da Polícia Militar para pedir ajuda. Os PMs a socorreram e a levaram para o Hospital Adão Pereira Nunes (Hospital de Saracuruna), onde ela ficou um dia em observação. Rosana ficou com problemas de audição após a agressão e terá que passar uma cirurgia no ouvido

— Quando eu consegui sair daquela casa, só agradeci a Deus por estar viva. Durante todo esse período, até a prisão dele ontem (quinta-feira) fiquei com muito medo. Estou até agora escondida — disse Rosana, pedindo para que não fosse revelado o local onde está com bebê.

Os dois se conheceram no dia 13 de maio de 2017, quando foram a uma festa de amigos. Já mantinham contato pela rede social. A professora disse ter ficado apaixonada logo no início do relacionamento pelo homem gentil e atencioso que era Davidson:

— Tudo começou a mudar poucos meses depois quando Davidson começou a ter alguns comportamentos obsessivo. Onde eu estava tinha que tirar foto e mandar para ele. Eu achava estranho, mas acreditava que era excesso de cuidado.

Em julho do mesmo ano, Rosana engravidou. O companheiro duvidou que o filho era dele e os dois se separaram durante seis meses. Voltaram, mas as obrigas continuaram. Quando estava com sete meses de gravidez, levou outra surra. O relacionamento passou a ter idas e vindas, segundo Rosana, porque ela ainda era apaixonada. As brigas eram constantes e duraram anos. No dia 22 de janeiro, ela o denunciou depois que ele a agrediu e quebrou o seu nariz.

— Cheguei a ter uma medida protetiva e me afastei dele depois disso. Por isso decidi que só iria encontrar com ele em locais públicos — disse Rosana.

Rosana teve o nariz quebrado em uma das surras Foto: Arquivo Pessoal
Rosana teve o nariz quebrado em uma das surras Foto: Arquivo Pessoal

Muito sofrida, Rosana chora durante todo tempo e diz que Davidson destruiu a sua vida:

— Ele acabou com os meus sonhos. Eu tinha planos para o futuro. Achei que passaria o resto da minha vida com ele.

No braço esquerdo de Rosana Louzada está tatuado “Nunca mais”. Algumas pessoas chegam a pensar que seria um recado para a Davidson, mas a inscrição foi feita antes deles se conhecerem. O recado é para o ex-marido, com quem teve dois filhos. Segundo ela, um relacionamento abusivo onde ela teria sofrido tortura psicológica durante 17 anos. – Fonte G1


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