2 Morte de Meninas de 10 e 11 anos e tentativa de suicidio de garoto de 4 anos reacendem cuidados com filhos no youtube.

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Pelo menos 3 casos envolvendo crianças que atentaram contra as próprias vidas reacenderam, ao longo dos últimos dias, debates a respeito da exposição de meninos e meninas a conteúdos que podem influenciá-los negativamente por meio da internet.

2 garotas uma de 10 e outra e 11 anos morreram nesse domingo (17) depois de atirar contra a própria cabeça, uma no Mato Grosso do Sul e outra em SP…. Já no Paraná, um garoto de 4 anos cortou os dois pulsos, superficialmente, com uma faca no dia 9 de março.

Uma garota de 11 anos de idade, filha de um policial militar, foi encontrada morta com um tiro na cabeça, na noite deste domingo (17), em Mundo Novo, a 462 quilômetros de Campo Grande. A morte é a segunda com aparência de suicídio cometido por criança no Brasil nas últimas 24 horas.

Apesar de não haver qualquer indício de relação direta, a ocorrência em MS coincide com rumores que circularam na internet sobre a veiculação de vídeos com desafios suicidas usando a figura da ‘boneca Momo’. A Polícia Civil está apurando as circunstâncias da morte.

Segundo informações preliminares, a menina de MS, teria usado uma arma particular do pai, e alguns objetos, incluindo um celular de uso da criança, teriam sido apreendidos no local. A perícia foi acionada por volta das 20 horas do domingo (17), mas os responsáveis pela investigação ainda não se manifestaram oficialmente.

Poucas horas antes do caso em Mundo Novo (MS), ainda no domingo (17), uma menina de 10 anos cometeu suicídio em São Caetano (SP) atirando contra o ouvido com uma arma também do pai, um funcionário público, que não estava regularizada.

CASO NO PARANÁ – Pais fazem alerta sobre Momo após comportamento violento do filho de 4 anos

Os pais de um garoto de 4 anos, de Goioerê, no Paraná, fizeram um alerta após o filho cortar os pulsos e ter comportamento violento após ver vídeos no YouTube. A família desconfia que os atos do garoto foram incentivados por aparições da “Momo”, que viralizou em 2017 com um desafio violento.

De acordo com informações do portal Guia Medianeira, a família observou comportamentos erráticos do menino que, primeiro tentou cortar os pulsos com uma faca e depois atacou o pai, tentando enforcá-lo.

Após estes episódios, os pais passaram a observar atentamente o garoto e desconfiaram que o incentivo poderia estar vindo de vídeos de YouTube vistos pelo celular.

Ano passado, denunciamos aqui na Pais&Filhos que dezenas de vídeos infantis eram interrompidos por mensagens violentas da personagem Momo que gerou uma onda de comportamentos violentos e suicidas nas crianças que ficavam expostas a estes conteúdos. A personagem infantil Peppa Pig, por exemplo, já foi usada como atrativo para vídeos com conteúdos inadequados. Vídeos-oficina de slimee clipes da música Baby Shark também podem servir de isca para as crianças.

No caso que aconteceu em Goioerê, o menino não confirmou aos pais que o vídeo o incentivou àqueles atos, mas pela observação dos pais, o conteúdo consumido pelo YouTube seria a motivação para o ato.

Os riscos do jogo

Não é de hoje que esses tipos de desafios são espalhados pelas redes sociais. Em 2017, o “jogo da Baleia Azul” foi tão sério, que ficou associado diretamente com o aumento de casos de suicídio entre crianças e adolescentes, causando preocupação em famílias do mundo tudo.

Este novo desafio consiste em adicionar um contato com o suposto número do Momo e iniciar uma conversa. Com uma aparência aterrorizante, a imagem do Momo ficou famosa pelo aplicativo de conversas e vem causando curiosidade entre os internautas. Mas especialistas advertem que o desafio pode ser algo muito mais sério do que uma simples distração online.

À primeira vista, o Momo parece ser algo inofensivo, até que a pessoa por trás do número começa a fazer ameaças envolvendo os familiares das crianças usando informações pessoais, desafiando os jogadores a fazer coisas perigosas.

Se você ou sua família for “vítima” do Momo, a recomendação de especialistas é bloquear imediatamente o número para que ele não entre mais em contato, seja por ligações ou pelo WhatsApp, já que sua privacidade pode estar em risco.

O que os pais podem fazer

Segundo o CyberHandbook, somente no Brasil, 62 milhões de pessoas foram vítimas de cibercrimes em 2017, o que representa 61% da população adulta com acesso à internet. Entre crianças e adolescentes, esse número aumenta: cerca de 80% dos pais não têm ideia dos conteúdos acessados pelos filhos diariamente na internet, o que os coloca em uma posição vulnerável.

De olho no seu filho

Para proteger sua família de desafios onlines desse tipo, que nada têm de brincadeira, é preciso observar comportamentos que fujam do normal, como alteração do humor, aumento da agressividade, tristeza, prostração ou emagrecimento. “A atenção deve ser redobrada com aqueles jovens que já apresentem tendência à depressão, que costumam ser especialmente atraídos por jogos prejudiciais”, aconselha Andrea.

Caso seu filho seja exposto a golpes e cibercrimes como esse, o melhor caminho é denunciar e registrar pelo número 181 ou diretamente em uma delegacia. “Para contribuir com o trabalho das autoridades, é indicado que os pais consigam uma imagem da página, que pode também ser impressa, registrem as conversas e armazenem todas as informações que possam contribuir para o esclarecimento do caso. Também vale entregar computadores e aparelhos celulares para que sejam realizadas perícias e os criminosos possam ser encontrados e punidos”, explica Andrea.

Além disso é muito importante procurar a escola, conversar com o diretor, psicopedagogo ou psicólogo, e com os professores que acompanham a criança, para avaliar a situação como um todo, a partir de diferentes pontos de vista. “É necessário incentivar, na escola e em casa, o questionamento sobre as razões e consequências de atos e escolhas, e refletir sobre valores. Esses desafios online, e outros tipos de riscos do uso da internet, precisam ser debatidos de forma transparente entre professores, pais e alunos”, aconselha a especialista.

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